segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Indiferença...

          Eu ainda não aprendi a ser tão indiferente com as coisas da vida quanto os outros acham que eu deveria ser.
          Na verdade, como eu mesma às vezes acho que eu deveria ser. Notícias tristes ainda me abalam, ainda me fazem refletir. Há quem diga que nos envolvemos demais com os problemas dos outros porque vemos neles o reflexo nos nossos... Pode ser... Mas eu ainda não aprendi...
          Gostaria de encarar tudo com naturalidade, de pensar sinceramente, como tantos outros dizem que pensam, que cada um tem o que merece. Mas há momentos em que isso se torna muito difícil...
          Tenho vivido uma vida envolta de problemas, de desilusões e de sonhos que não acredito mais que poderei realizar. Por outro lado, aprendi a viver pequenos momentos de felicidade encontrados nas coisas simples, no trabalho e nas lutas diários. Não desisto, mas mudo o foco. Mas quando as notícias tristes vem, volto a me sentir incapaz...
          Não, não acho que sou a única nesse mundo a me sentir dessa maneira! Só acho que sou uma das únicas que não se conforma, mas não está conseguindo encontrar uma saída! Encontro apenas alguns refúgios, abrigos momentâneos para minhas angústias...
          Se eu conseguisse ser indiferente, sei que tudo seria mais fácil. Se alguém souber a fórmula, por favor, me passe! Não posso pagá-la com dinheiro, mas creio que voltarei a ser quem eu era, antes de me transformar no que sou hoje, esse alguém estranho, de que nem eu mesma sempre gosto...
          Só não me sinto mais estranha do que esse texto, que pretende expressar algo em mim que não consigo externar, minha solidão, minha angústia, minha decepção, meu tudo e meu nada que não interessam a mais ninguém, mas que também não cabem mais só dentro de mim...
          Quem sabe um dia eu aprenda a ser assim, indiferente, como os outros esperam de mim...

Juliana Barbosa Ribeiro (01/11/2010)